Sustentabilidade – + Pecuária Brasil https://maispecuariabrasil.com Portal + Pecuária Brasil Tue, 16 May 2023 12:49:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.8.3 https://maispecuariabrasil.com/wp-content/uploads/2022/09/logo2-1-75x75.png Sustentabilidade – + Pecuária Brasil https://maispecuariabrasil.com 32 32 Sistema Lavoura-Pecuária Retém Três Vezes Mais O Carbono, Diz Estudo Da Embrapa https://maispecuariabrasil.com/2023/04/sistema-lavoura-pecuaria-retem-tres-vezes-mais-o-carbono-diz-estudo-da-embrapa/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=sistema-lavoura-pecuaria-retem-tres-vezes-mais-o-carbono-diz-estudo-da-embrapa Thu, 06 Apr 2023 14:50:00 +0000 https://maispecuariabrasil.com/?p=23519

O ciclo do carbono é um ciclo biogeoquímico no qual o elemento alimenta os organismos vivos do meio ambiente, retornando em seguida à atmosfera. Portanto, carbono bom é aquele que se transforma em elemento orgânico integrado à terra. E carbono ruim é aquele que não é resgatado da natureza, ficando livre no ar e contribuindo para o aquecimento do planeta. Uma pesquisa da Embrapa Arroz e Feijão concluiu que o sistema integrado lavoura-pecuária apresenta taxa de acúmulo de carbono no solo três vezes maior do que na sucessão de culturas de grãos. Os arranjos com sistema integrado lavoura-pecuária apresentaram taxas de acúmulo de carbono de 0,6 te 0,9 t por hectare. O resultado representa um aumento de três vezes nos estoques de carbono do solo em comparação com sistemas de sucessão soja-milho de alto desempenho. Com o +Pecuária Brasil, por exemplo, ao se somar a biotecnologia reprodutiva com uma integração lavoura-pecuária, temos um ambiente perfeito de sequestro do carbono e contribuição para a sustentabilidade da cadeia produtiva da bovinocultura

O carbono é um elemento que está presente na composição de todas as moléculas orgânicas, essenciais para os seres vivos, além de alguns compostos inorgânicos. Na atmosfera, o carbono está presente na forma de dióxido de carbono (CO2). A assimilação do carbono pelos seres vivos e sua devolução à atmosfera, completando, assim, o seu ciclo, estão intimamente ligadas ao fluxo de energia. Os resultados dos experimentos mostraram que os maiores valores de acúmulo de carbono foram encontrados em sistemas ILP sob condições de plantio direto. Soja de plantio direto na foto acima. Os arranjos com sistema integrado lavoura-pecuária apresentaram taxas de acúmulo de carbono de 0,6 te 0,9 t por hectare.

Propriedade agrofamiliar em Barra Alta-DF tem integração lavoura-pecuária muito bem-sucedida com o plantio de cupiaçu, que depois da silagem serve de alimento para todo o rebanho, e que faz parte  do programa +Pecuária Brasil (biotecnologia sustentável), criando um ambiente perfeito de sequestro de carbono

Um estudo da Embrapa Arroz e Feijão estimou a taxa de acúmulo de carbono orgânico do solo (COS) em um solo de Cerrado no estado de Goiás, Brasil, comparando o sistema de integração lavoura-pecuária (SIP) com o sistema de sucessão de grãos (soja-milho) em ambos plantio direto e agricultura convencional. Os resultados mostram um aumento nos estoques de carbono orgânico do solo em ILPI ao longo de 20 anos, projetados para o período de 2019 a 2039. O resultado representa um aumento de três vezes nos estoques de carbono do solo em comparação com sistemas de sucessão soja-milho de alto desempenho. As taxas registradas estão acima do recomendado pela Iniciativa Internacional “4 por 1000”, organização que reúne esforços de instituições de pesquisa e educação em solos para segurança alimentar e clima em todo o mundo. Os achados podem ser parcialmente explicados pela presença do capim braquiária, uma planta forrageira que cria raízes profundamente no solo.

A projeção do acúmulo de carbono foi estipulada para a profundidade do perfil do solo de 30 cm. O resultado foi que os maiores valores de acúmulo de carbono foram encontrados em sistemas ILP sob condições de plantio direto; dois dos quais (ICLS1 e ICLS2, conforme mostrado abaixo) apresentaram aumento de SOC a taxas entre 0,6 e 0,9 toneladas métricas por hectare por ano, respectivamente. Isso representa um aumento de três vezes nos estoques de carbono do solo em comparação com os maiores desempenhos dos sistemas de sucessão de culturas de soja-milho, que atingiram taxas de acúmulo de carbono de 0,11 e 0,21 toneladas por hectare por ano no plantio direto.

A simulação

O estudo foi baseado na série histórica de dados de semeadura e manejo em área de ILPI na Fazenda Capivara, fazenda pertencente à Embrapa, localizada no município de Santo Antônio de Goiás, Goiás, Brasil. As informações registradas no banco de dados de manejo desde 1990 forneceram um modelo conhecido como CQESTR, que simula o comportamento do carbono em solos de cultivo e é usado para prever como diferentes práticas de manejo afetam a dinâmica do carbono.

Durante o estudo, dois ICLS foram simulados dentro do CQESTR e replicados ao longo do período de avaliação. O primeiro (ICLS1) incluiu cultivo de milho na safra de verão seguido de 4,5 anos de pastagem de braquiária. A segunda (ICLS2) teve soja como safra de verão, seguida de pousio no primeiro ano, depois arroz de terras altas, novo pousio (descanso do solo) no segundo ano, cultura de milho e, eventualmente, 3,5 anos de pastagem de braquiária. Já o sistema de sucessão de culturas (soja-milho) compreendeu a alternância de culturas anuais de verão, bem como períodos de pousio, ou sucessão entre as duas culturas (safra e safrinha).

Os resultados do experimento mostraram que os maiores valores de acúmulo de carbono foram encontrados em sistemas ILP sob condições de plantio direto. Soja de plantio direto na foto acima.

Beata Madari é uma das pesquisadoras da Embrapa responsáveis ​​pelo estudo. Ela disse que esse resultado está em linha com os anteriores no campo e pode ser explicado pela presença da forrageira Brachiaria , que apresenta raízes profundas no solo e assim não só recicla nutrientes como também ajuda a aumentar o estoque de carbono no sistema devido ao contribuição da biomassa aérea e radicular em ILPI. Segundo Madari, uma taxa de acúmulo de carbono de 0,9 tonelada por hectare por ano surpreendeu os pesquisadores, pois é um valor alto levando em consideração o diagnóstico inicial da fazenda da Embrapa: solo argiloso (mais de 50% de argila) e baixo a teor médio de carbono (aproximadamente 2%).

Rede internacional

O resultado alcançado pelo estudo científico pode ser comparado a outros estudos sobre estoques de carbono no solo. Uma das principais organizações do mundo relacionadas ao tema é a Iniciativa Internacional “ 4 per 1000 : Soils for Food Security and Climate”. A iniciativa conta com uma rede internacional de colaboradores, que inclui instituições de pesquisa e ensino, associações de agricultores, governos, organizações internacionais, além de setores agroindustriais e empresariais. Ele defende práticas sustentáveis ​​de manejo do solo para atingir uma taxa de crescimento anual de 0,4% (4% ou 4 por 1.000) nos estoques mundiais de carbono no solo. Para as condições da área experimental no bioma Cerrado brasileiro, isso significa 0,26 toneladas por hectare por ano. No entanto, esta taxa pode variar, dependendo do clima local e das condições do solo.

Para a pesquisadora Beata Madari os resultados da pesquisa foram superiores, o que mostra que o manejo sustentável do solo e das lavouras no bioma Cerrado pode desempenhar um papel importante na mitigação de gases de efeito estufa como o dióxido de carbono (CO 2). A Iniciativa Internacional “4 por 1000” foi lançada durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21) de 2015 em Paris, França. A Embrapa é uma das integrantes dessa iniciativa, e a pesquisadora Beata Madari integra o comitê técnico-científico.

Os resultados da pesquisa mostram que o manejo sustentável do solo e das lavouras no bioma Cerrado pode desempenhar um papel importante na mitigação de gases de efeito estufa como o dióxido de carbono (CO 2).

Mercado de carbono

A taxa anual de acúmulo de carbono encontrada neste estudo para o ILPS em plantio direto traz novos elementos para o debate científico. Segundo o pesquisador da Embrapa Pedro Machado, há outros estudos que constataram maiores capturas de carbono em ILPI: taxas anuais de até 1 tonelada por hectare por ano. No entanto, Machado diz que geralmente são estudos de pequena escala, em parcelas, com duração de poucos anos ou safras. Nesse sentido, ele considera o uso do modelo CQESTR um diferencial. “A ferramenta de simulação foi fundamental porque nos permitiu usar de forma efetiva o banco de dados de quase 30 anos de cultivos da fazenda da Embrapa e prever, por um período, a dinâmica de acúmulo de carbono de acordo com o preparo do solo e o manejo agrícola. Por isso,

Machado acrescenta que o CQESTR é um programa utilizado para investigações científicas tanto no Brasil quanto em outros países, mas, para situações brasileiras, havia sido utilizado apenas em algumas regiões tropicais do Nordeste e Sudeste, e agora foi testado e aprovado para as condições do Cerrado .

O pesquisador mencionou ainda que o estudo não só abre portas para quantificar com precisão o carbono armazenado no solo em um sistema agrícola específico, como também permite projetar futuramente quanto carbono será armazenado no solo. Esse estudo, por exemplo, estipulou a projeção para o período de 2019 a 2039. Essa perspectiva, segundo Machado, faz com que a pesquisa se torne um ponto de apoio e qualificação para o debate em curso no Brasil sobre a regulamentação de um mercado de carbono, e estabelece estratégias para a sustentabilidade agrícola e para o desenvolvimento de políticas públicas nacionais.

O estudo faz parte da tese de doutorado de Janaína de Moura Oliveira. Foi realizado na Universidade Federal de Goiás (UFG) e tem como título: Carbono no solo em sistemas integrados de produção agropecuária no Cerrado e na transição Cerrado-Amazônia. O estudo contou com a colaboração da Embrapa Labex USA e da University of Arkansas ( UARK ). A tese pode ser baixada aqui.

Melhor saúde do solo

O estudo mostrou que tanto no sistema ILP quanto no sistema de sucessão de culturas, o estoque de carbono no solo foi maior na produção de plantio direto do que nos sistemas de preparo convencional (aração e gradagem). A pesquisadora da Embrapa Márcia de Melo Carvalho, que participou do estudo, observou que práticas conservacionistas, como o plantio direto, contribuem para o acúmulo de carbono em relação aos sistemas convencionais, pois o não preparo do solo favorece maior estruturação, com formação de agregados ( pequenos torrões de terra) que “empacotam” a matéria orgânica ( ver estudo específico aqui ), protegendo-a da rápida decomposição. Quanto mais matéria orgânica, mais saturado de carbono está o solo.

Tanto no sistema ILP, quanto no sistema de sucessão de culturas, o estoque de carbono no solo foi maior na produção de plantio direto do que nos sistemas de preparo convencional (aração e gradagem)

No entanto, algo tão importante quanto a saturação de carbono do solo é a proteção proporcionada pelo plantio direto. Os sistemas de plantio direto permitem a formação de uma camada que protege o solo (mulch) do impacto das gotas de chuva, proporcionando a infiltração da água e a regulação da temperatura do solo. Além disso, o cientista afirma que as práticas de manejo que resultam no acúmulo de carbono no solo também melhoram a qualidade e o rendimento dos sistemas de produção, adaptando-se às mudanças ambientais, que são uma realidade no Cerrado goiano.

Com informações da Embrapa.

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Estudo Da Embrapa Mostra Baixa Emissão De Carbono Na Pecuária Leiteira https://maispecuariabrasil.com/2023/02/estudo-da-embrapa-mostra-baixa-emissao-de-carbono-na-pecuaria-leiteira/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=estudo-da-embrapa-mostra-baixa-emissao-de-carbono-na-pecuaria-leiteira Tue, 28 Feb 2023 19:36:02 +0000 https://maispecuariabrasil.com/?p=23436

Pesquisa publicada pela Embrapa comprova que a emissão de carbono na atmosfera é baixa na pecuária leiteira. Segundo o estudo, em sistemas intensivos em pastagem, são necessárias 52 árvores por vaca para chegar ao leite carbono zero. Foram considerados dois tipos de sistemas de produção – intensivo e extensivo – e as duas raças mais utilizadas na pecuária leiteira. O plantio de árvores é uma estratégia de mitigação de gases de efeito estufa (GEEs) muito importante para a descarbonização da agricultura. O trabalho comprovou também efeito poupa-terra, a otimização do uso da terra pelo setor. A redução de emissões e a pegada ambiental são diferenciais da pecuária brasileira, realizada principalmente em pastagens. Considerando apenas a raça, na comparação entre as holandesas e as jersolandas, estas são mais eficientes em relação às emissões. Com o plantio de 38 árvores por vaca, o produtor faz a compensação; os que usam a raça holandesa precisam de oito árvores a mais por vaca

O estudo controlado pela Embrapa Pecuária Sudeste (SP) apontou que são necessárias 52 árvores por vaca nos sistemas intensivos de produção para chegar ao leite carbono zero. O plantio de árvores é uma estratégia de compensação da emissão de gases de efeito estufa (GEEs) e pode ser usado por pecuaristas para o desenvolvimento de uma pecuária mais sustentável e tratada para a descarbonização. Em sistemas extensivos (baixo nível tecnológico), essa quantidade é de 33 eucaliptos.

O trabalho, divulgado na publicação internacional Frontiers in Veterinary Science, avaliou o efeito de vacas holandesas (HPB – Preto e Branco) e de jersolandas em diferentes níveis de intensificação – pastejo transmitido com baixa taxa de lotação e rotacionado irrigado com alta taxa de lotação – e a interação entre esses dois fatores na mitigação de GEEs. No experimento, foi realizado o balanço de carbono entre as emissões de GEEs (inclusive de metano – CH 4 entérico) e as remoções de GEE, por meio do sequestro de carbono do solo. Essas variáveis ​​foram usadas para calcular o número de árvores necessárias para mitigar a emissão e o efeito poupar-terra.

Foram considerados dois diferentes modelos produtivos brasileiros a pasto – extensivo e intensivo. O trabalho também comparou duas raças, a HPB e a jersolanda, tradicionalmente utilizadas no país para a produção de leite. Considerando apenas a raça, na comparação entre as holandesas e as jersolandas, estas são mais eficientes em relação às emissões. Com o plantio de 38 árvores por vaca, o produtor faz a compensação; os que usam a raça holandesa precisam de oito árvores a mais por vaca. De acordo com a pesquisadora Patrícia PA Oliveira, a pecuária brasileira é realizada principalmente em pastagens. Desta forma, a demanda de redução das emissões e da pegada ambiental, dá uma vantagem a mais ao País. Sendo os bovinos criados a pasto, a necessidade de árvores para a compensação das emissões de GEEs é menor, porque na contabilização do balanço de carbono, o sequestro de carbono do solo, positivo nos dois sistemas testados, contribui na compensação das emissões.

A produção de leite brasileira e as questões de sustentabilidade 

O Brasil produz 35 bilhões de litros de leite por ano, ocupando o terceiro lugar no ranking mundial. As propriedades, em sua maioria de pequeno e médio porte, estão distribuídas em 98% dos municípios brasileiros, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No total, mais de quatro milhões de pessoas estão envolvidas na produção de leite no Brasil. No entanto, a produtividade é muito baixa na maior parte dessas fazendas. A média de litros de leite por vaca em lactação é em torno de quatro litros ao dia no Brasil, enquanto a média mundial é próxima a 10 litros diários. “Esse cenário discrepante de baixa eficiência sistemática pode ser explicado pelo modelo de produção adotado. As gramíneas são a principal fonte de alimento para o gado leiteiro em sistemas baseados em pastagens de qualidade comprometida, que muitas vezes são manejados abaixo de sua taxa de lotação potencial, com uma média nacional de uma vaca por hectare”, complementa a pesquisadora.

O setor, além de ter a demanda de elevar a produtividade, viu aumentar nos últimos anos as expectativas dos consumidores em relação à qualidade do produto e às questões de sustentabilidade e bem-estar animal. É crescente a preocupação com as mudanças climáticas. No Brasil, a agropecuária é responsável por 33,6% das emissões brasileiras de GEE, sendo 19% vindas da fermentação entérica. O rebanho bovino contribui com 97% das emissões de metano, sendo 86% do rebanho de corte e 11% do gado leiteiro.

“Estratégias para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, como mudanças no manejo de sistemas de produção de leite a pasto, por meio da intensificação da utilização de forragem e uso de raças e cruzamentos de animais mais especializados, podem contribuir para compensar as emissões de GEE. Comparados aos sistemas leiteiros tradicionais, são sumidouros de carbono. Essas ações – melhorar a fertilidade do solo e manejo das pastagens, a nutrição e a genética animal são pontos básicos e de fácil adoção – podem contribuir para o balanço de carbono das fazendas leiteiras e diminuir a necessidade de outros procedimentos externos, como a compra de créditos de carbono para compensar as emissões”, enfatiza a pesquisadora. A intensificação sustentável dos sistemas de produção de pecuária leiteira pode se tornar uma tecnologia chave para a mitigação das mudanças climáticas.

Com informações da Embrapa.

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Sistema lavoura-pecuária-floresta (ILPF) aliado ao melhoramento genético impulsionam agropecuária de baixo carbono https://maispecuariabrasil.com/2022/04/pecuaria-brasil-sistema-lavoura-pecuaria-floresta-ilpf-aliado-ao-melhoramento-genetico-impulsionam-agropecuaria-de-baixo-carbono/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=pecuaria-brasil-sistema-lavoura-pecuaria-floresta-ilpf-aliado-ao-melhoramento-genetico-impulsionam-agropecuaria-de-baixo-carbono Mon, 25 Apr 2022 13:23:00 +0000 https://conafer.org/?p=12383 da Redação

O Brasil possui tecnologia para desenvolver o setor pecuarista, e ao mesmo tempo reduzir a emissão de metano, um gás causador do efeito estufa. A Embrapa, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária apresentou estudos que avaliaram o desempenho produtivo dos sistemas integrados de produção agropecuária, a exemplo do lavoura-pecuária (ILP), pecuária-floresta (IPF) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), todos alternativas para os projetos da Confederação, como o ERA, o CONAFER nas Aldeias, o ELAS, o Replantar e o +Pecuária Brasil, este principalmente em relação ao ILPF, pois este sistema pode utilizar diferentes arranjos produtivos agrícolas, pecuários e florestais dentro de uma mesma área, capazes de produzir novas matrizes, para gado de corte e leite, de forma segura, sustentável e com baixo custo. No caso do +Pecuária, o ILPF é maximizado ao combinar seu sistema com o uso da tecnologia de inseminação artificial, fundamental para os produtores rurais obterem altas performances na reprodutividade dos rebanhos

Entre os benefícios de adotar tecnologias que favoreçam o desenvolvimento de uma agricultura de baixa emissão de carbono, pode-se destacar, além da preservação do meio ambiente, conservação do solo e melhor utilização da água, a elevação da renda do produtor e melhoria de toda a cadeia produtiva. Isto é resultado de sistemas bem manejados, que permitem o aumento da matéria orgânica no terreno e a estocagem de carbono em forma de raízes das forrageiras e nas árvores, quando elas fazem parte do sistema, a exemplo do que acontece no ILPF.

A Embrapa destaca a importância de sistemas como a ILP e a ILPF, enquanto ferramentas importantes na exploração e intensificação do uso do solo, com a vantagem de colaborar para a redução da quantidade de carbono emitida, mesmo em pastagens tradicionais, que ao serem bem manejados viabilizam bons resultados neste sentido. Os dados levantados pela pesquisa mostraram que a gestão eficiente de um pasto pode compensar as emissões de gás estufa de até dois animais, enquanto os sistemas com presença de árvores equivalem à redução de cerca de dez animais.

Adotar políticas públicas de financiamento de tecnologias e sistemas de produção nas propriedades rurais promove uma agropecuária mais adaptada às mudanças climáticas, o que ameniza o lançamento de gases de efeito estufa. Apenas durante o período de julho a dezembro de 2020, estas políticas ampliaram a área agrícola do país com tecnologias sustentáveis em mais de 750 mil hectares, o equivalente a cinco vezes a área da cidade de São Paulo.

Os três sistemas estudados demonstraram efeitos positivos entre os componentes do agroecossistema, contemplando a adequação ambiental e a viabilidade econômica das tecnologias, ao tempo em que permite a pastagem, quando manejada corretamente, tornar-se mais produtiva, resultando em maior ganho de peso animal e maior precocidade sexual de novilhas.

O sistema de produção de leite, por exemplo, com o ILPF, promove uma intensificação da ciclagem de nutrientes, aumentando o bem-estar animal, ao dar a eles maior conforto térmico, além de diminuir a ocorrência de doenças e plantas daninhas, e reduzir o uso de agroquímicos no controle de insetos-pragas, doenças e plantas daninhas.

O sistema de produção de leite, por exemplo, com o ILPF, promove uma intensificação da ciclagem de nutrientes, aumentando o bem-estar animal, ao dar a eles maior conforto térmico, além de diminuir a ocorrência de doenças e plantas daninhas, e reduzir o uso de agroquímicos no controle de insetos-pragas, doenças e plantas daninhas.

Diante do desafio de cumprir o compromisso assumido frente à Organização das Nações Unidas (ONU), no qual o Brasil se comprometeu a reduzir suas emissões de gases estufa em 37% até o ano de 2025 e 50% até 2030, em comparação ao ano de 2005, mantendo as medidas necessárias para assegurar a neutralidade climática até o ano de 2050, as tecnologias que envolvem o setor pecuarista são as que trazem maior impulsionamento para o cumprimento dessas metas. No caso da pecuária, o problema de maior impacto sobre o aquecimento global está no desmatamento de florestas para uso da área em lavouras e pastos, seguido pela emissão de metano pelos bovinos durante a digestão dos animais, devido a fermentação gástrica dos alimentos.

Sucesso no segmento agropecuário familiar, +Pecuária Brasil reforça víés de sustentabilidade dos projetos da CONAFER

A Confederação disponibiliza aos seus associados um leque de programas que possuem como base os sistemas de ILPF, priorizando o uso sustentável da biodiversidade e dos recursos hídricos disponíveis nos biomas onde se encontram as propriedades rurais. O objetivo dos projetos é promover um processo interativo de aumento da produtividade em uma mesma área, mas sem esgotar os recursos naturais, como a água, por exemplo.

Projetos como a Estação Empreendedora Rural Agroecológica (ERA), o CONAFER nas Aldeias, o ELAS e o REPLANTAR, atuam com sistemas agroflorestais, viabilizando a diversidade de culturas, a implantação dos módulos de produção, o manejo do pasto para o gado, além da correta condução das SAFs, os Sistemas Agroflorestais. Esta combinação garante aos produtores mais vantagens, com a comercialização de grãos, fibras, madeira, carne, leite e agroenergia produzidos em uma mesma área, além de potencializar os ganhos genéticos dos animais resultantes do +Pecuária Brasil.

Mais do sistema ILPF, Integração-Lavoura-Pecuária-Floresta

As pesquisas apontam para o retorno rápido do investimento feito pelo produtor rural em sistemas ILPF, apesar de demandarem mais mão de obra e trazerem um aumento no custo de manutenção, o investimento é compensado pelo aumento da produtividade, de modo que eles representam uma alternativa para avanços em áreas de pastagem tradicionais já degradadas. Para o incremento dessas áreas com a inserção do componente arbóreo, são levadas em consideração características como: a necessidade da árvore realizar a fixação biológica de nitrogênio; o porte das árvores mais adequado em pastagens; a forma e densidade da copa, a regeneração e tolerância ao fogo; a qualidade do tronco; se a espécie apresenta raízes superficiais sob a copa; o potencial forrageiro e tóxico dos frutos e a velocidade de crescimento.

Entre os produtores rurais do financiamento do programa ABC (Programa ABC é a linha de crédito do Plano ABC, Agricultura de Baixa Emissão de Carbono) destaca-se o pedido para recuperação de pastagens degradadas cuja subvenção, para este fim, apresentou um crescimento de 534% no ano de 2021, chegando a impactar uma área de 13 mil hectares. Em segundo lugar nesta busca está o plantio direto, com avanço de 307,9 mil hectares, e o ILPF e Sistemas Agroflorestais (SAFs), com 47,2 mil hectares. Os produtores também podem acessar as linhas de crédito ABC para adequar suas propriedades ao Código Florestal, recuperando áreas de reserva legal e preservação permanente, conciliando preservação e manejo florestal sustentável.

Certificação de produtos da pecuária sustentável

Estimular políticas de redução da emissão de gás estufa, por meio da certificação e emissão de selos também é importante. Recentemente, a Embrapa apresentou o programa Carne Carbono Neutro (CCN), lançado em 2020, que sugere protocolos a serem adotados pelo produtor para o monitoramento pela certificadora, de modo que a sua simples adoção supra os custos com a certificação, gerando a valorização do produto e o pagamento de um bônus pela carne produzida com esses critérios.

De acordo com o CCN, ser carbono neutro significa reduzir os gases estufa onde for possível e balancear o restante das emissões por meio da compensação, que pode ser feita pela compra de créditos de carbono ou recuperação de florestas em áreas degradadas. O objetivo do programa é atestar, mediante um protocolo parametrizável e auditável, que a produção de carne bovina em sistemas ILPF proporciona a neutralização das emissões de metano, e validar o protocolo de produção de carne com neutralização de gases estufa, incorporando diretrizes para o adequado manejo da pastagem e produção de carne de qualidade a cultura dos produtores.

Mais informações sobre o +Pecuária Brasil: coor.maispecuaria@conafer.org.br – (61) 98194-0084.

Com informações do Mapa, Embrapa e +Pecuária Brasil.

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Programa sustentável ajuda na redução de gases do efeito estufa https://maispecuariabrasil.com/2021/08/pecuaria-brasil-programa-sustentavel-ajuda-na-reducao-de-gases-do-efeito-estufa/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=pecuaria-brasil-programa-sustentavel-ajuda-na-reducao-de-gases-do-efeito-estufa Wed, 04 Aug 2021 18:40:31 +0000 https://conafer.org/?p=10814 da Redação

Enquanto o mundo se prepara para discutir na Cúpula dos Sistemas Alimentares (Food Systems Summit, ou FSS), em setembro de 2021, durante a semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, a pauta com medidas globais para reduzir o metano dos rebanhos bovinos, e responsáveis por 38% do aquecimento do planeta pelo efeito estufa, a CONAFER tem levado por todo o território brasileiro, o +Pecuária Brasil, um programa com a tecnologia IATF (Inseminação Artificial a Tempo Fixo) que trabalha pelo melhoramento genético e sustentabilidade do sistema produtivo, simultaneamente, protegendo todo o meio ambiente. Na pré-Cúpula, em Roma, entre os dias 26 e 28 de julho, os ministros da Agricultura do Brasil, Paraguai e Argentina vão defender posições comuns sobre sistemas alimentares, em especial para diminuir os danos da pecuária extensiva. Pesquisadores e todo o mercado pecuarista têm procurado o ovo de Colombo para diminuir os gases liberados pela bovinocultura. Existem estudos sobre o capim-limão que indicam sua eficácia ao agir no sistema digestivo dos animais, diminuindo em 30% a emissão de gases; outra pesquisa já publicada no meio científico, revela que algas marinhas podem reduzir até 82% as emissões de metano

A contribuição do +Pecuária Brasil nas práticas sustentáveis

Existem mais de 1,4 bilhão de cabeças de gado no mundo, que juntas são responsáveis por 65% de todos os gases de efeito estufa da agropecuária. Os esforços para reduzir as emissões de metano das vacas vão desde vacinas até alimentá-las com algas. Por isso, o +Pecuária Brasil é uma porta de entrada para uma série de ações e protocolos capazes de melhorar os resultados produtivos, econômicos e de sustentabilidade nas propriedades dos pequenos produtores rurais.

O programa é um grande salto de qualidade no segmento agropecuarista, que ao melhorar a qualidade genética dos rebanhos , evidencia-se também como a melhor ferramenta para responder à demanda por sustentabilidade ambiental. Em relação ao desempenho, é possível ter o dobro de produção em metade das terras ocupadas hoje pela bovinocultura. A preparação do gado para receber a inseminação é acompanhada de uma preparação nutricional, que além de aumentar o peso e suas condições de saúde, precisa ser adaptada às novas condições de uma tecnologia 100% sustentável.

Capim-limão e dieta com grãos: soluções científicas reduzem as emissões de metano dos bovinos

A rede de fast-food Burger King, por exemplo, anunciou uma mudança na alimentação de vacas e bois em confinamento, e vai introduzir o capim-limão na dieta do gado confinado, com o objetivo de reduzir em 33% as emissões diárias de metano e o impacto ambiental deste sistema de criação. A iniciativa teve início nos Estados Unidos e no México. No Brasil, o Burger King se uniu à JBS, e passará a adicionar a planta na dieta de mais de 95 vacas e bois criados em confinamento para observar os resultados localmente.

Pecuaristas brasileiros têm investido em dietas ricas em grãos e alimentos não fibrosos para bovinos de corte. A pesquisa agropecuária comprova que essa prática, já solidificada nos confinamentos norte-americanos, além de diminuir os gases de efeito estufa (GEEs), traz economia significativa para o produtor. Um dos motivos disso é a melhor conversão alimentar dos animais que recebem a dieta de alto concentrado em comparação aos bovinos alimentados com maior porcentagem de volumoso. Em um rebanho com mil cabeças de gado confinado, o pecuarista pode economizar cerca de R$ 400 mil.


Algas marinhas podem reduzir até 82% as emissões de metano

Um estudo da Universidade da Califórnia publicado na revista científica PLOS ONE, colheu provas sólidas de que as algas marinhas na dieta do gado são eficazes na redução dos gases com efeito de estufa e que a sua eficácia não diminui com o tempo.

Durante cinco meses, os dois pesquisadores adicionaram pequenas quantidades de algas marinhas da espécie ‘Asparagopsis taxiformis’ à dieta de 21 bovinos e constataram que os animais que consumiram doses de cerca de 80 gramas de algas ganharam tanto peso como os restantes elementos da manada, mas expeliram para a atmosfera menos 82% de gás metano, produzido como subproduto da digestão de matéria vegetal.

As algas marinhas inibem uma enzima do sistema digestivo da vaca que contribui para a produção daquele gás. Os resultados de um painel de teste de sabor não revelaram diferenças no sabor da carne de novilhos alimentados com algas em comparação com um grupo de controle, tal como já havia acontecido com o sabor do leite em estudo anterior, direcionado para as vacas leiteiras. As conclusões do estudo publicado ajudam os agricultores a produzir de forma sustentável a carne bovina e os laticínios necessários à alimentação diária de bilhões de pessoas.

Vantagens financeiras para setores que se comprometem com o meio ambiente

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai reduzir os juros de suas linhas de financiamento para setores que assumirem compromissos de redução de perda de carbono. O banco quer estimular o processo de transição das empresas para a economia de baixo carbono .
Os juros, formados pela TLP ou por referenciais de custo de mercado, mais uma resposta básica do BNDES de 1,5% ao ano, e uma taxa de risco de crédito, pode ser reduzidos em até 0,4 ponto percentual caso o cliente comprove, após o período de carência, será alcançado como metas de redução de emissão de CO2 definidas pelo programa.

O BNDES quer fomentar a criação de um mercado de carbono dentro da carteira de crédito do banco. Setores que retiram carbono do meio ambiente podem negociar créditos de carbono com empresas mais poluentes.

O programa +Pecuária Brasil estimula a sustentabilidade do segmento agropecuário

Em parceria com a líder mundial na tecnologia de inseminação artificial, a ALTA GENETICS, a CONAFER criou o programa + Pecuária Brasil para o desenvolvimento dos rebanhos bovinos de corte e leite, ajudando no crescimento socioeconômico dos agropecuaristas agrofamiliares brasileiros.

O programa tem a duração de 4 anos para ocorrer o efetivo melhoramento genético. Neste período, a CONAFER fará a doação de 3 mil doses de sêmens anuais a cada estado brasileiro, 12 mil doses durante os próximos 4 anos, atingindo milhares de agropecuaristas familiares de todo o território nacional.

Para desenvolver o +Pecuária Brasil nos estados, os corpos técnicos da CONAFER e da ALTA GENETICS darão o treinamento de nivelamento dos técnicos das secretarias de forma presencial. Às secretarias caberá a definição de um corpo técnico para elaborar o plano de trabalho e implantar o +Pecuária Brasil por meio da seleção dos pecuaristas que tenham propriedades em boas condições sanitárias e nutricionais do rebanho.

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